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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Abaralhando a barbela ( Nilton Ferreira )

"Bueno moçada, é fim de semana
O serviço em dia, vou ter que tentiar um surungo
Passei a semana inventando rima,
Pois me gusta abrir o peito de chegada
E por cantar a verdade
Ja tem até autoridade querendo meu pelego
Mas hoje.. haha.. lá no Bom Sussego
De novo eu vou abrir minha goela
Graças a Deus, sem tramela
E se não gostarem empino a canha num gole
Passo a faca no fole
Facilita, roubo uma donzela!"

Pronto os encargos, largo meu mouro de lida
Pego o tordilho tratado só pra fuzarca
Passo a semana no galpão quebrando milho
Mas quando sai, sai bombeano a maritaca

Corto caminho pelo campo dos Portela
Pego uma aguada, mas desvio na soitera
Gasto um dobrado tendo um pingo só pra farra
Mas cruzo a sanga sem sujar a barrigueira

Abaralhando a barbela, vai meu tordilho
Pisando miudo por galhardo qual o dono
Levo comigo lotes de versos campeiros
Um H.O. mola dupla e uma prateada coqueiro

Viro os pelegos por mania de sestroso
Pego meu trinta recheado, mais um baleiro
Ando com fama de maleva pela volta
Só por entrar a cavalo num destes bailes campeiros

Entro na sala e vou abrindo a garganta
Nisso me pisca a filha do dono da festa
Facilitando roubo a china e corto a gaita
E de novo vou m'embora com fama de quem não presta.

Enchendo a alma de vaneira ( João Luiz Corrêa )

Fim de semana dou uma alisada na estampa
Vejo a tarde que descampa
Como quem convida um taita
Pra um baile bueno daqueles da moda véia
Que o índio clareia a idéia
Ouvindo um toque de gaita

Meio de longe ouço da gaita um gemido
Num rancho de chão batido
Pra diante da encruzilhada
Entro na porta peço uma pro gaiteiro
E jogo o laço certeiro
Na china mais cobiçada

Encilho a noite numa bailanta cuida
Nos braços de uma crinuda
A mais linda do rincão
Me vou pra sala quando
Ronca a botonera
Encho a alma de vanera e de amor
No coração

Fim de semana dou uma alisada na estampa
Vejo a tarde que descampa
Como quem convida um taita
Pra um baile bueno daqueles da moda véia
Que o índio clareia a idéia
Ouvindo um toque de gaita

Não perco a vaza nem jogo conversa fora
Sei que qualquer china adora
Macho que sabe o que quer
Aparto a dedo qualquer uma não me agarra
E só amanheço na farra
Que tenha gaita e mulher

Anunciação ( Grupo Minuano )

Sai na janela prenda linda para ver
O cavaleiro que chegou no seu portão
Vem sorrado das estradas de poeira e de paixão
Morrendo de saudade dos teus olhos
Do teu beijo e do gosto do teu chimarrão

(A trote largo corto estradas pra te ver
No meu cavalo só pensando em ti querer
Ronda de tropa pastoreio anunciação
No meu cavalo repontando a solidão)

Pelos caminhos juntei flores pra te dar
E se teu pai me consentir a tua mão
Minha doce namorada gauchinha do rincão
Eu corro ao encontro dos teus olhos
Do teu beijo e do gosto do teu chimarrão

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Gaucho e o Cavalo (Os Monarcas)

Me cansei de patacoadas
E fandango sem rodeios
Tardes de falsos campeiros
E montão contra o confreio

Chega de brutalidades
De rasgar cavalo ao meio
Porque cavalo e gaúcho
Desta pátria são esteio

Quem sou eu sem meu cavalo
O que será dele sem mim
Talvez dois seres perdidos
A vagar pelo capim

Quem sou eu sem meu cavalo
O que será dele sem mim
Porque quando morre um cavalo
Morre um pedaço de mim

Nunca se monta num potro
Sem antes amanuncia-lo
Parceiro a gente conquista
Não prende a força de piago

Tem que respeitar o amigo
Que nos serve de regalo
até nossa independeria
Foi feita sobre o cavalo

Quem sou eu sem meu cavalo
O que será dele sem mim
Talvez dois seres perdidos
A vagar pelo capim

Quem sou eu sem meu cavalo
O que será dele sem mim
Porque quando morre um cavalo
Morre um pedaço de mim

Um gaúcho sem cavalo
É um arreio sem estribo
É igual a um pajé solito
Sentindo a falta da tribo

É mutante sem destino
Que não acha lenitivo
É um ser sem ideal
Que não honra o chão nativo

Quem sou eu sem meu cavalo
O que será dele sem mim
Talvez dois seres perdidos
A vagar pelo capim

Quem sou eu sem meu cavalo
O que será dele sem mim
Porque quando morre um cavalo
Morre um pedaço de mim

Quem sou eu sem meu cavalo
O que será dele sem mim
Talvez dois seres perdidos
A vagar pelo capim

Quem sou eu sem meu cavalo
O que será dele sem mim
Porque quando morre um cavalo
Morre um pedaço de mim


Vaneira Pra Três Pandeiros

Venho de longe
Lá do garrão do pago
Louco pra fazer um estrago
Nas ancas da fandangueira

Chega bem loque
Pra dormir só nos pelegos
Eu preciso é de um achego
Da china cafundaneira

Pião de estância
Não tem tempo pra namoro
To igual um burro chôro
Quando vê uma parregueira

Já faz um tempo
Que eu não me atraco na dança
Vou queimar graça da pança
Nos cabo de uma vaneira

Chacoalha os quartos
Que eu tô de casco aparado
Tô botando pros dois lados
Tô encharcando o bacheiro
Revira o bucho
Dessa gaita bagaceira
E me toque uma vaneira
Daquela pra três pandeiros

E vô direto pro rancho
Da Brasilina
No bafo da Cangibrina
Me acerto com a missioneira

Bailando solto
Vou entretendo a guria
Falando com quicardia
Vou ajeitando a carreira

Agarro a china
Num abraço bem cuiúdo
Lá vou pisando miúdo
Pois a moça é dançadeira

É fim de baile
Gaiteiro deixa de manha
Já te paguei 12 canha
Então me toque outra vaneira


No clarão da lua ( Garotos de Ouro )

Ai, ai, ai
Sou um castelo de areia sem você que a onda bate e ele cai
Eu sou poeira e tempestade sem destino que não sabe aonde vai
Sem você estou perdido

Agora estou aqui
Quero viver aquele amor de novo
Reascender a chama desse fogo que o vento soprou
Pra te beijar sobre o olhar da lua
Nós dois apaixonados pela rua num filme de amor

Ai,ai,ai
Sou um castelo de areia sem você que a onda bete ele cai
Eu sou poeira e tempestade sem destino que não sabe a onde vai
Sem você estou perdido

Me da teu beijo vai
Me da carinho vai
Me queira de novo
Me da teu colo vai
Da mais um pouco vai desse amor gostoso

Deixa meu beijo te acender
Deixa eu te amar no clarão da lua
E quando o dia amanhecer o sol vai aquecer duas pessoas nuas
Deixa eu mostrar que meu amor é de uma fonte infinita que nunca se acaba
E ainda tenho muito fogo pra te aquecer no frio da madrugada.

Vaneira das missões

Garotos de Ouro

Abro essa gaita pra tocar uma vaneira dessas vaneiras que se tocam nas missões

Que tem a mescla daquela terra vermelha sangue que corre nas veias das tradições

Essa cadência dos fandangos missioneiros ficou guardada no eco de um sapucai

Pois diz a lenda que o gemido deste fole se fez remanso nas enchentes do Uruguai

(São os acordes do pulsar desta querência

E a convivência vai pealando os corações
Bis
Quando um gaúcho leva o pampa num abraço

Neste compasso da vaneira das missões)
Int.

A voz da gaita que namora as reduções escaramuça nas andanças dos tropeiros

Num repicar dos sinos de São Miguel e os acordes primitivos ervateiros
É bem por isso que este canto refloresce e a luz de lua abençoa os namorados

Nesta vaneira que embala e nos anima e que aproxima os corares apaixonados
( )Int.

Esta vaneira das missões tem ressonâncias das pregações de Antônio Sete e São João

Numa cultura missioneira preservada com sentimentos que brotam do coração

Levo os rangidos dos engenhos da palmeira águas que correm no rio Ijuí

Nesta vaneira a noite se ilumina pelas clareiras da luz de Tuparandi